O que é Dor Crônica?

endenda a dor

A abordagem mais moderna da ciência entende o fenômeno da dor crônica ocasionado por dois componentes integrados: um relacionado à lesão dos tecidos e outro componente relacionado a problemas nas vias de condução do impulso da dor pelo sistema nervoso.

O componente relacionado à lesão dos tecidos, tecnicamente chamado de nociceptivo, está relacionado com os danos como lesões ósseas, musculares, ligamentares que geram inflamação na região acometida e conseqüentemente dor local. Esse componente nociceptivo é bastante conhecido na prática médica atual, sendo o foco principal da preocupação de quem sofre com dor e também da maior parte dos profissionais de saúde.

Sabe-se, entretanto, que esse componente tem duração limitada e tende a um processo de cicatrização e remodelação com subseqüente redução do componente inflamatório.

No entanto, se o processo de inflamação local tem duração limitada, por que em alguns casos a dor aumenta e se cronifica e não reduz juntamente com a diminuição do processo inflamatório?

A resposta para essa questão sobre a cronificação da dor tem sido encontrada exatamente no outro componente gerador do fenômeno doloroso, tecnicamente chamado de componente neuropático e relacionado as vias de condução do estímulo nervoso, que levam a informação de dor para processamento em diversos locais no cérebro.

A dor nesses casos ocorre por um funcionamento desordenado do estímulo no sistema nervoso. Nessas situações muitas vezes não há melhora com o uso de medicamentos como os antiinflamatórios e analgésicos e por vezes até de cirurgias que agem somente no componente da lesão de tecidos.

A dor gerada pelo funcionamento inadequado do sistema nervoso pode ser exemplificada como se o organismo tivesse um sistema de alarme para identificação de potenciais ameaças para o corpo. Na dor crônica ocasionada por um componente neuropático esses alarmes estão sensibilizados e disparam com muito mais facilidade do que em um indivíduo sem dor.

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Utilizando uma metáfora seria similar ao alarme de um carro que dispara ao mínimo movimento do veículo ou ao contato leve em uma das partes do carro. Na verdade, não existe, nesse exemplo do veículo, nenhum dano ao carro, mas seus alarmes, por estarem desregulados, dispararam facilmente, chamando a atenção sem que o carro esteja efetivamente sendo roubado.

O paciente com dor crônica pode muitas vezes não ter lesão tecidual ou ter uma lesão pequena, mas mesmo assim, seus sistemas de alarme da dor disparam chamando atenção, causando sofrimento extremo, e muitas vezes fazendo o indivíduo entender que algo de muito grave se passa naquela situação.

O tratamento da dor crônica sob a luz da visão mais moderna da ciência deve abranger tanto o componente de possíveis lesões de tecido, quanto o componente da condução do estímulo da dor, já que o tratamento apenas com terapias restritas ao local da dor, com uso de analgésicos e antiinflamatórios, além de perigoso, é ineficaz na maior parte dos casos.

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